Listas

Discos que você precisa ouvir até o fim desse ano!

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Esse ano muita coisa boa surgiu no universo da música. Vários relançamentos, que já comentamos por aqui, estreias de artistas, e muito, mas muito disco bom sendo lançado para amenizar os outros acontecimentos de 2016.
Resolvemos, então, indicar alguns dos álbuns que foram lançados esse ano, e que você PRECISA ouvir antes do dia 31 de dezembro.

Claro que muitas outras coisas boas surgiram, e por isso mesmo pedimos que deixem nos comentários indicações para os outros leitores, e contem os motivos pelos quais devem ouvir.

Optamos em indicar nesse post apenas lançamentos nacionais. Confira:

BaianaSystem – Duas Cidades

Duas Cidades é o resultado de cinco anos de viagens, shows, entrosamento, e principalmente da própria evolução da banda. Produzido por Daniel Ganjaman, e com participação Márcio Vitor, do Psirico, Siva— tocando rabeca —, o coro das Ganhadeiras de Itapuã, Junix e mais uma galera, as 12 faixas do álbum são o resultado de uma internação de um mês num sítio do interior de São Paulo e de muito papo. Ganja dá a letra: “O meu trabalho nessa história foi amarrar tudo e levar para um conceito de disco”. O produtor fala ainda sobre como o grupo mudou sua visão sobre a música da Bahia. “Eles me apresentaram a célula rítmica da música baiana de uma forma transgressora. Eu repensei toda a música baiana contemporânea conhecendo ela a partir do BaianaSystem.” Leia mais aqui.

Céu – Tropix

Como um neologismo tipicamente tropicalista, Ceutropix é uma coisa só. Não tem como ser pronunciado separadamente. Em seu quarto álbum de estúdio, a cantora e compositora nos traz um álbum sintético, noturno e reluzente. Nessa mistura tropical e pixelada, Céu se aventura na música e no visual nos anos 90, 80 e 70.  Não à toa que Céu foi indicada e premiada tantas vezes esse ano.
Céu Tropix também foi lançado em Vinil, e esse precioso disco você encontra na Bilesky Discos.

Criolo – Ainda há Tempo

Depois de dez anos de lançamento, Criolo relança o álbum Ainda há Tempo, seu primeiro disco de estúdio.  Com o sonho de realizar um show com o repertório e a história que traz Ainda há Temposurgiu a possibilidade de regravá-lo e atualizá-lo. De acordo com uma entrevista de Criolo ao site Geledés ele explica que não foi simplesmente a música que mudou, mas a história também, e a forma de contá-la. Algumas letras foram repensadas e “alguns detalhes fazem toda diferença, e você aprende isso não tendo medo de ter contato com as pessoas” afirma Criolo.

Francisco, El Hombre – Soltasbruxa

Com produção assinada por Zé Nigro, o trabalho mantém a energia do quinteto, mas aponta o discurso para outro horizonte (um horizonte nem tão distante). “Exploramos a pluralidade do que somos e observamos na sociedade”, conta Sebastián Piracés-Ugarte. Contagiado pelo recente momento político e social do Brasil, a francisco, el hombre já havia dado pistas de mudanças com o primeiro single do álbum liberado na internet. Intitulada “calor da rua”, a faixa expõe como a violência doméstica (nem sempre física) está naturalizada em nossa sociedade. Singela, “triste, louca ou má” desconstrói por meio de afirmações o “papel” e o “posto” da mulher na coletividade. Mais aqui.

Hyldon – As Coisas Simples da Vida

Com mais de 40 anos de carreira, temos mais uma jóia de Hyldon em mãos. “As Coisas Simples da Vida” é um disco com 10 músicas, todas produzidas e assinadas por Hyldon. Algumas das canções foram feitas em parceiras com Cris Delanno, Alex Moreira, Luiz Otávio e Alex Malheiros. O trabalho gráfico ficou por conta do designer Flavio Albino, e pelo fotógrafo Daryan Dornelles, que conseguiram captar o espírito do álbum. A banda que acompanhou o mestre Hyldon foi composta por  Guinho Tavares (guitarra, violão, vocal), Felipe Marques (bateria e percussão), Arthur de Palla (baixo e vocal), Luiz Otávio (piano, teclado e sintetizadores), Márcio Pombo (piano, órgão, sintetizadores, cordas e vocal), Marlon Sette (trombones), Diogo Gomes (flugelhorn e trompete) e Rodrigo Revelles (flautas, saxofone barítono, soprano e tenor).

Metá Metá – MM3

O trio paulistano Metá Metá não lança material novo já faz quatro anos, quando lançaram o elogiado Metal Metal em 2012. O trabalho de Thiago França, KikoDinucci e Juçara Marçal é uma colisão de ideias e arranjos bem diferentes. Nesse meio tempo sem gravar coisas novas, os integrantes andaram se aventurando em carreiras solo e projetos paralelos, como Encarnado (2014), Passo Torto (2015) e Charanga do França (2016)

O Terno – Melhor do que parece

O Terno lançou seu terceiro álbum, Melhor Do Que Parece soa mais pop que os anteriores, mas mantém a excelente qualidade de todos os outros álbuns. O site oficial dos garotos que há pouco ultrapassaram a barreira dos 25 anos prefere outra descrição: “power-trio de canção-rocknroll-pop-experimental”. Talvez essa seja a forma mais curta de tentar se aproximar ao salto estético e musical dado pelo grupo ao longo desses quatro anos e três discos

Rael – Coisas do meu imaginário

Este é o quarto trabalho solo do Rael. O disco é uma parceria do selo Laboratório Fantasma e do Natura Musical. Entre as participações estão Black Alien e Chico César, além de Ogi, Apolo e Massao, os dois últimos companheiros de Rael no emblemático grupo Pentágono. Em “Coisas do Meu Imaginário” Rael evidencia que a sua maturidade musical não transformou aquela que é a principal característica de sua trajetória: a mistura com outros gêneros.

Rashid – A Coragem da Luz

Musicalmente, A Coragem da Luz é ainda mais desbravador que os trabalhos de seus contemporâneos porque compreende técnicas inovadoras de estúdio (“Depois da Tempestade”, single com participação de Alexandre Carlo), o som orgânico entre o soul e o funk (“Homem do Mundo”, com participação de Criolo), além do cool-jazz, como o belo início em “Cê Já Teve Um Sonho”. Nesse quesito, a escolha pelo produtor Julio Mossil foi essencial para que o álbum transcendesse as comparações com as mixtapes anteriores. As rimas de A Coragem da Luz partem de um vocábulo mais bem ponderado. Rashid abandonou as obviedades que preenchiam algumas mixtapes e afiou sua obra como o lapidar de uma escultura modernista, com atenção às formas.

Sabotage – Sabotage

Mauro Mateus dos Santos é o nome do tão conhecido e saudoso Sabotage. Nascido na Zona Sul de São Paulo, Sabota saiu do tráfico por ter um talento nato para a arte. Saiu do crime para se tornar um dos mais talentosos e influentes rappers do Brasil.  Uma imagem que representa a resistência da juventude, e que tem suas músicas como verdadeiros hinos, Sabotage não deixou apenas fãs, mas também grandes amigos como o produtor musical Daniel Ganjaman, que trabalhou por anos nesse disco póstumo, com materiais que o rapper deixou sem lançar. Mas o trabalho agora lançado vem para mostrar que Sabota Vive, e que ele realmente merece o título de Maestro do Canão, e que sua memória precisa ser mantida. O disco conta com a produção de Tejo Damasceno, Rica Amabis e Daniel Ganjaman.

Serena Assumpção – Ascensão

Serena Assumpção se viu incumbida de registrar as canções dos orixás cantadas nos terreiros de candomblé, em uma das visitas ao Ile De Oba De Dessemi, local frequentado por ela desde seis anos antes. O projeto engatinhou, ganhou forma, até andar com as próprias pernas. E, durante o processo, a artista enfrentou o câncer por duas ocasiões. A primeira, em 2011, ela venceu. A segunda, não. Serena partiu em março deste ano, aos 39 anos, sem ver o fruto do seu trabalho em formato físico, mas o deixou pronto para o lançamento, realizado pelo Selo Sesc. Tudo que se encontra no álbum tem o toque e as escolhas da artista. O título, escolhido pelos búzios e adotado por ela, não poderia ser mais poético: Ascensão. Leia mais aqui.

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